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Mas afinal, o que é TERAPIA?
Em diversos momentos de nossas vidas nos deparamos com situações inusitadas que nos causam ansiedade e sofrimento. Já teve dificuldade em lidar com a perda de alguém querido? E falar sobre isso com seus filhos? E algum conflito que tenha prejudicado o rendimento no trabalho, você já passou por isso? Enquanto você lê essa matéria, o prazer da leitura quase que cede espaço para que as preocupações tomem conta de seu pensamento? Podemos passar por situações como estas numa realidade na qual os impasses devem ser resolvidos e as decisões tomadas de forma correta, até porque, somos muito criticados por nossas falhas. E tudo deve ser feito o mais rápido possível. Ninguém quer perder tempo, ou melhor, não nos é permitido perder tempo. Em resposta a essa realidade, a Psicologia Clínica não faz promessas milagrosas de como nos livrar de nossos incômodos. Ela oferece a terapia como um recurso que utiliza algumas ferramentas adequadas para cada indivíduo, até porque cada um é único, com suas questões próprias. O psicólogo atua como facilitador promovendo a possibilidade do cliente posicionar-se com relação a sua vida, entrando em contato com seus sentimentos e adquirindo novas percepções. Em decorrência disso, surgirão mudanças de forma a promover maior bem-estar. Assim, o psicólogo trabalhará para que o indivíduo perceba a responsabilidade sobre suas escolhas e possa participar ativamente do processo terapêutico. O primeiro passo dado para a mudança e obtenção do autoconhecimento inicia-se quando buscamos a terapia. Somos nós quem decidimos quando mudar...
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Adolescência: doces prazeres ou pesados problemas?
A adolescência é um período de intensas transformações em diversos níveis, seja corporal, psicológico ou social. As mudanças físicas podem interferir no seu estado psicológico, pois é um período em que sua imagem está em transformação. O que incita um sentimento de insegurança fazendo o adolescente a cuidar com especial atenção de sua aparência física. É nesse momento em que aprendem conceitos, regras e limites que nortearão a vida adulta. Portanto, há importância na conscientização de seus problemas e de descobrirem até onde são capazes de ir, sendo às vezes, necessário a ajuda de um terapeuta.
Há vários modos de realizar o crescimento psicológico e um deles é completar situações inacabadas. Nesse sentido que a terapia mostra-se válida, ao mesmo tempo em que ajuda o jovem a assumir responsabilidades e perceber que é capaz de promover mudanças que tragam benefício a ele mesmo. A prática terapêutica possibilita ampliar a consciência da maneira como a pessoa se comporta, e a partir disso promover mudanças necessárias.
O adolescente não é o único que pode precisar de auxílio. Ocorre também que alguns pais não conseguem aceitar as mudanças que ocorrem em seu filho e procuram a ajuda de um terapeuta com a expectativa de que o filho volte “a ser como antes”. Mostrar-se inflexível e apontar como problema o filho não ajuda em nada. Ao invés de vê-lo como “aborrecente”, os pais fortalecem a relação com seus filhos, na medida em que podem perceber a necessidade de uma orientação para lidar com essa nova situação.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Quando a Família vai à Terapia
Os conflitos conjugais e familiares antes entendidos como causados por um membro "problemático" do grupo, hoje já são percebidos como sintomas produzidos no âmbito das relações no grupo familiar. A terapia de casal/família é utilizada como um recurso técnico que permite focalizar as ansiedades compartilhadas por seus membros, ajudando o grupo a elaborá-las e dar fechamento a situações inacabadas. Os conflitos familiares não são mais atribuídos à patologia daquele que é portador de uma queixa ou de um desajuste; ao contrário, passam a ser vistos como produtos de padrões de relacionamento que são patogênicos. A terapia tem a perspectiva de trabalhar questões de um relacionamento, possibilitando que seja recriado com ajustes e rearranjos. É trabalhada a comunicação do casal/família, dando espaço para que todos os membros possam se expressar, como também aprender a ouvir uns aos outros. Desta forma, poder perceber como se comportam e como repetem na terapia aspectos bem presentes em sua rotina e que podem gerar disfuncionalidades. Cabe lembrar também que, quando o casal opta pela terapia, é importante entender que ela não estará a serviço nem de unir e nem de separar os parceiros, como às vezes se imagina no senso comum. Muito menos de servir de instrumento a uma das pessoas para a reforma da outra. Ela será um espaço de atualização das experiências vividas no passado do casal e de reflexão sobre como elas se reproduzem na estrutura do vínculo conjugal.
A psicoterapia de casal ou de família pode propiciar a compreensão das emoções em jogo, ampliando a percepção sobre os vínculos e o funcionamento dos membros do grupo familiar. E mesmo quando é o caso de ocorrer uma separação ou a constituição de uma nova família, principalmente incluindo filhos, a psicoterapia pode ser muito útil como um espaço terapêutico para pensar as mudanças que surgirão.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
A arte de viver junto
Relacionar-se quando as pessoas têm tantos estilos, sonhos, desafios, parece ser uma realidade cada vez mais distante. O casamento não resulta da procura e do encontro do parceiro ideal e, sim, da união com alguém disposto a construir junto o futuro.
Compartilhar vivências, dividindo dificuldades, emoções, dúvidas, medos e desejos é importante, mas é preciso estar atento à fronteira entre o compartilhar e o invadir. Negociar limites é uma missão não muito simples, mas torna-se fundamental o respeito e o bom senso, pois as pessoas têm limites próprios e cada relação desenvolve uma dinâmica diferente.
Faz parte da relação conjugal a passagem da fantasia para o real. Trata-se de algo necessário e inclui o fim da fantasia de ter a união perfeita com o parceiro ideal, mas é também a possibilidade de cada um perceber-se individualmente, de forma a encontrar-se, misturar-se, separar-se e transformar-se. O cotidiano traz com seus eventos uma quebra na satisfação plena, surgindo a desilusão necessária para que se reconheçam os limites da relação. A evolução do relacionamento do casal depende de como estão atuantes na vida em comum as experiências passadas e as expectativas futuras.
A terapia pode ajudar no aprendizado a viver em meio aos conflitos, de modo a usar a criatividade para resolver problemas e crescer como pessoas. O trabalho terapêutico favorece uma maior clareza entre o que é do âmbito pessoal e o que é âmbito conjugal. O terapeuta dá suporte mostrando onde e como o casal é competente, aponta incongruências e ambiguidades para que o casal perceba em que áreas do relacionamento eles fluem e onde estão paralisados.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
A Orientação Vocacional e a difícil escolha da profissão
Escolher é um atributo complexo já que quanto mais experiência a pessoa tiver acumulado, mas ponderada será sua decisão. Deve-se considerar que a escolha de uma profissão acontece numa época ainda repleta de incertezas e descobertas. Esses jovens não são mais considerados crianças, mas ainda não estão providos da maturidade da vida adulta. Assim, o momento da escolha é determinado sócio-culturalmente e nada tem a ver com o amadurecimento psicológico. Escolher, sempre significa ter que se posicionar, abrir mão de alguma possibilidade.
A escolha profissional torna-se algo cada vez mais complicado e que leva o jovem a vivenciar grande ansiedade. As novas carreiras que se constituem a cada dia ampliam tanto as possibilidades que causam confusão no momento da escolha profissional.
A Orientação Vocacional (OV) promove um espaço onde o jovem possa compartilhar suas dúvidas, inseguranças e seus medos, recebendo apoio e a percepção de que não é o único a vivenciar o momento da escolha profissional, e isso já representa o começo para a mudança em sua postura diante da vida. Esse momento de tensão prejudica no próprio desempenho escolar e as relações que o jovem estabelece. A OV auxilia no desabrochar das habilidades e dos potenciais intelectual e emocional. Desta forma, representa um processo no qual o jovem deve ser participativo para que desenvolva responsabilidade e confiança em sua escolha. A decisão é pessoal e nunca deveria ser transferível, o que não significa deixar de ouvir as pessoas que admiramos e respeitamos.
Um jovem mais seguro, com maior autoconhecimento tende a ser mais bem sucedido nos investimentos que faz. Portanto, a OV possibilita mais do que benefícios ao próprio aluno, há também reflexos positivos no colégio e no ambiente familiar. A energia investida nas horas de indecisão, cobranças internas ou externas, pode ser canalizada para outros aspectos produtivos.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Problemas Sexuais e Psicoterapia
Vivemos em um país tropical no qual a cultura privilegia o sexo e o bom desempenho. Ao mesmo tempo, somos herdeiros de uma educação que não favoreceu que a sexualidade pudesse ser um assunto levantado sem muitos entraves.
Torna-se simples uma conversa com os amigos para falarmos sobre a falta de dinheiro ou problemas no trabalho, mas não é tão simples tratarmos de dificuldades sexuais por vergonha, medo do julgamento ou preconceito. Essas dificuldades são chamadas de disfunções sexuais, e dentre as mais comuns temos o vaginismo, anorgasmia, impotência, ejaculação precoce e a frigidez. Muito mais importante que o nome de cada uma delas, é o sentido do sintoma que cada uma representa, o que ele quer expressar. O sofrimento causado é, muitas vezes um complicador em suas vidas, seja em suas atividades rotineiras ou na qualidade de seu relacionamento com o(a) parceiro(a). Sendo a maior parte dos casos de origem psicológica, a psicoterapia pode auxiliar na compreensão da grande ansiedade gerada, o que dificulta ainda mais a superação do quadro. O caminho da terapia visa criar condições para que a pessoa possa ampliar o autoconhecimento, aprendendo como faz para construir tal sintoma, passando a ter mais curiosidade a cerca de seu próprio corpo, ampliando o seu conhecimento sobre o mesmo. O trabalho é feito no intuito de favorecer a comunicação do casal, compreendendo melhor a cobrança por um bom desempenho e autoexigência excessivos, além de desmistificar as curas milagrosas ou fantasiosas sobre o prazer sexual e estimular expectativas mais realistas. Até porque, o sexo não é perfeito como nos filmes e tem características particulares para cada um. Outro ponto relevante é a desconstrução das falsas interpretações que cada um faz de si próprio quando avalia a sua dificuldade. É bom lembrar da importância de uma avaliação médica para descartar causas orgânicas envolvidas no surgimento do quadro. Nos casos de uma implicação orgânica, além da psicoterapia, deve haver o acompanhamento médico.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Síndrome do Pânico
O medo tem sido um sentimento muito presente na atualidade até porque vivemos tempos de muita insegurança e estresse. Porém, há pessoas que possuem uma sensação apavorante de que algo muito ruim pode estar próximo a acontecer mesmo sem risco de perigo real.
A crise de pânico se constitui a partir da união de pensamentos e sentimentos e envolve alterações fisiológicas: ansiedade, taquicardia, sudorese. Após a pessoa sofrer a primeira crise, passa a temer vivenciar algo semelhante novamente. Essa possibilidade traz consigo fantasias ainda piores com relação ao que pode ocorrer com ela, como medo de enlouquecer ou morrer. As crises podem causar diversos prejuízos a ponto de ocorrer privação dos momentos de lazer, abandono de trabalho e grande dificuldade de sair de casa até mesmo para buscar ajuda, pois a pessoa passa a viver num estado de tensão permanente.
O uso de medicação nesses quadros funciona aliviando os sintomas, mas não atua nos fatores geradores do quadro de pânico. O autoconhecimento é que pode modificar tais fatores. O importante é aprender com o quadro para conseguir sair de novos episódios com maior facilidade. A terapia assinala a importância de se conhecer melhor e de cuidar dos próprios limites pois as pessoas que abrem um quadro como este normalmente são pessoas que tendem a passar por cima de seus próprios limites. São pessoas que costumam se voltar para fora, para os outros ou para metas como carreira profissional, deixando de lado algumas de suas necessidades individuais. Normalmente estas pessoas já vêm apresentando uma série de outros sintomas como gastrite, alergias, mas não deram a devida atenção a esses sintomas. Muitas vezes é necessário abrir um quadro como este para que essas pessoas possam dar-se conta de seus excessos e a partir daí, reavaliar a atitude que estão tendo diante da vida.
No processo terapêutico é indispensável lembrar que cada pessoa é única e que o quadro de pânico deve ser investigado caso a caso, respeitando as experiências daquele que chega até nós, desejoso de recuperar a qualidade de sua vida.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
O Fantasma da Depressão
Hoje em dia é bem comum escutarmos o quanto as pessoas se dizem deprimidas por fatores diversos:”Ai, tô tão deprimida porque não consegui comprar aquela roupa” ou “meu namorado não foi ao clube comigo...”. Ou seja, parece que qualquer tristeza ou chateação costuma ser associada à depressão. Na verdade, trata-se de uma doença importante e que não deve ser banalizada nem confundida com quadros corriqueiros de tristeza. Momentos difíceis todos temos, porém a depressão simboliza um estado delicado e que merece cuidados devendo ser investigada e bem acompanhada.
A depressão pode ser vivenciada em qualquer idade, porém a faixa de maior ocorrência se encontra nas mulheres entre os 35 e 45 anos (voltando a aumentar aos 55 anos). Para os homens a probabilidade aumenta com a idade. Diversas pesquisas apontam algum determinante genético para explicar a doença, mas somente uma predisposição genética não determinaria a ocorrência de uma crise depressiva.
A pessoa que apresenta um quadro depressivo, por diferentes motivos, ao longo de sua vida aprende a não perceber seus próprios limites. Sua capacidade de identificar suas necessidades e sentimentos não se mostra tão apurada. Parece haver um gasto de energia não investida de forma satisfatória. Na relação com o mundo o indivíduo não consegue fazer trocas adequadas, o que ocasiona a uma falta de sentido na relação com o meio externo.
A saída de um quadro depressivo se dá gradativamente, muitas vezes com altos e baixos, sendo importante que o indivíduo deprimido tenha essa noção de que é comum, e muitas vezes esperado ter algumas recaídas para que não abandone o tratamento. Este envolve um acompanhamento médico e psicoterápico. Enquanto o médico procura conduzir o tratamento vendo a importância de lançar mão de medicamentos, o psicólogo acompanha o cliente de forma a facilitar a ampliação de sua percepção a respeito de si próprio, aumentando sua autoconfiança e capacidade de se orientar em seu meio na busca de seu equilíbrio.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Quando as MENTIRAS ultrapassam o dia “1º de Abril”
Você mente? Essa pergunta pode deixar qualquer um embaraçado. Quando não podemos admitir para nós certas verdades, nem assumir algumas responsabilidades, criamos possibilidades mais confortáveis, mais fáceis de encarar. Quando tal atitude vira hábito incontrolável, gera sofrimento e prejuízo para si e para os outros. O que ocorre para que façamos isso, até mesmo correndo o risco de perdermos a credibilidade e confiança dos demais?
É na infância que começa o processo de formulação daquilo que mais tarde vai originar a mentira. É comum vermos as crianças de quatro, cinco anos confundindo a realidade com a fantasia, pois se divertem ouvindo e inventando histórias. Um pouco mais velhas, elas buscam mentir para se isentar de culpas. As crianças mentem com frequência para seus pais quando estes costumam repreendê-las pelo que fazem ou quando limitam muito suas vontades.
Os pais são modelo de maior importância para os filhos. Quando a criança ou o adolescente mentem os pais devem falar sobre a diferença entre a fantasia e a realidade, a mentira e a verdade. Uma forma de ensinar às crianças é valorizar e gratificar os momentos em que a verdade é dita.
Problemas emocionais podem surgir quando as crianças começam a mentir repetidamente, acreditando que dizer mentiras é a melhor maneira de satisfazer as perguntas de seus pais, professores e amigos. Quando a criança ou o adolescente desenvolve um comportamento usual de mentir, então necessita de ajuda profissional. Se mentir mais vezes trouxer “vantagens”, esse comportamento tenderá a se repetir com frequência. Além disso, a mentira pode afastar ou adiar consequências desagradáveis. Desta forma, mentir também seria aprendido e mantido. Assim sendo, as pessoas têm maior probabilidade de dizer a verdade diante de contextos onde o que elas dizem não é julgado, nem criticado. Portanto, os adultos também podem usar a mentira gerando a perda na qualidade de suas relações e viver situações de grande ansiedade e sofrimento. A terapia auxilia na compreensão do comportamento e o motivo pelo qual a pessoa tem que lançar mão da mentira em sua vida, além de trabalhar formas para que o cliente desenvolva formas mais saudáveis e funcionais de interagir e superar questões importantes para o seu crescimento e bem estar.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Quando os filhos saem de casa
A família amadurece através do tempo e, a cada momento, atravessa uma fase característica. São diferentes gerações lidando com suas distintas crenças e opiniões. Além disso, observamos uma mudança considerável do papel feminino, já que a mulher era quase que exclusivamente voltada para a criação dos filhos.
De início, o casal se vê formando uma nova família, até que chegam os filhos. Acabada a infância, essa família precisa se reorganizar para viver mais uma fase, a adolescência. Período este, muitas vezes, bastante complicado para a convivência entre pais e filhos. No entanto, quando estes estão maduros, os pais vivem uma nova fase que faz com que o seu papel de cuidadores não esteja mais em primeiro plano, enquanto que o casal passa a ter que aprender a conviver só. A época da aposentadoria costuma a coincidir com esse período, o que acarreta diversas mudanças. Não ter mais de cuidar dos filhos deixa mais tempo livre para a autorreflexão do casal, exigindo que repensem o significado do casamento.
As famílias lidam com as dificuldades de formas variadas, sendo algumas capazes de “deixar partir” sabendo respeitar a autonomia dos filhos e perceber que todos têm direito e condições de organizar suas vidas. Com isso, não quer dizer que os laços afetivos serão desfeitos ou não haverá reconhecimento e valor para o que os pais realizaram até então. Caso o vínculo entre pais e filhos seja muito intenso, a saída deles de casa acarreta sofrimento excessivo para todos. Há casos, porém, que as famílias reagem à saída dos filhos com movimentos depressivos e até outras manifestações como divórcio ou casos amorosos extraconjugais.
A terapia auxilia pais e filhos a fortalecerem sua relação de forma mais saudável na medida em que podem perceber a necessidade de lidar com essa nova situação buscando elaborar as perdas, mas aproveitar os ganhos que também existem.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Você tem RAIVA de quê?
Vivemos numa sociedade repleta de eventos estressantes, que nos provocam revolta, medo, angústia e, porque não, raiva. Ela é decorrente de diversas possibilidades, seja uma injustiça a que assistimos, alguém que use as palavras de forma maldosa para nos atingir ou mesmo nos mostramos raivosos sem reconhecer o motivo.
Não costuma ser difícil reagir com raiva diante de uma situação que, por exemplo, nos desperte ciúmes. Ao mesmo tempo, a raiva nos auxilia de forma saudável para contermos uma situação de injustiça a alguém sem condições de se defender, por exemplo. No entanto, a raiva pode causar muitos prejuízos e sofrimento quando não bem administrada, sendo a medida desse sentimento ou a forma de experienciá-lo elementos importantes para uma relação de qualidade.
É bom lembrar que quem sente raiva, somos nós. Trata-se de um sentimento que alguém ou alguma coisa consegue despertar.-nos Avaliamos algo que escutamos ou que presenciamos e sentimos raiva. Portanto, é a avaliação que fazemos das situações que provoca esse sentimento, sendo a medida desse sentimento ou a forma de experienciá-lo elementos importantes para uma relação de qualidade.
Quando não entramos em contato com nossos sentimentos, fingindo que não existem acabamos nos transformando numa espécie de panela de pressão pronta a estourar. Uma vida mais saudável engloba a capacidade de encarar os sentimentos e expressá-los em momentos oportunos, sem exageros. Portanto, aprender a reagir melhor diante das situações auxilia bastante para melhor lidar com a raiva. O que você faz com sua raiva representa toda a diferença na forma como leva a sua vida e estabelece seus relacionamentos.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
(Re)Constituindo uma Família
Conhecer alguém, ganhar intimidade, saber tolerar e negociar. Tudo é tão complexo e delicado para estabelecer uma relação saudável e prazerosa... Posteriormente, investir na constituição de uma família, esperando a chegada de filhos e pensar a forma de educá-los. Porém, nem sempre esse casal se mantém unido e essas relações (entre pai e mãe, filhos e pais) sofrem grandes mudanças. Já separados esses adultos decidem formar uma nova família com outros parceiros, lembrando que a história que escreveram até aqui é de grande importância.
Os novos relacionamentos são ainda mais difíceis de negociar, até porque as segundas famílias constituídas carregam as cicatrizes das primeiras. Nem os pais, nem os filhos podem esquecer os relacionamentos que existiram antes.
Na nova família que se constituiu é importante que as responsabilidades de cuidar dos filhos devem estar distribuídas de maneira que não exclua ou prejudique a influência dos pais biológicos. Ou seja, cada cônjuge, junto a seu ex-cônjuge, deve assumir a responsabilidade primordial por criar e disciplinar seus próprios filhos biológicos.
Atritos entre madrastas e enteadas são comuns, na medida em que as filhas se sentem responsáveis por proteger as mães natural e entram em conflito em relação aos papéis. Nos casos em que os enteados são pequenos e permanecem sob a custódia da ex-mulher do marido, pode ocorrer da madrasta se sentir menos ligada às crianças em termos emocionais, e precisa lidar com o fato de que durante essa fase a parceria entre o marido e a ex-mulher é vivida de forma intensa.
O ideal, nem sempre alcançado, é quando os ex-cônjuges se mostram adultos responsáveis que podem aprender a cooperar um com o outro, para o bem de seus relacionamentos com seus filhos. Ter paciência conceder um ao outro o espaço e tempo para os sentimentos acerca de relacionamentos passados é crucial para o processo de constituir uma nova família.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Quando Envelhecer é Proibido
Amadurecer não consegue ser visto como algo positivo, já que vivemos numa cultura que idolatra a juventude e valoriza a forma física antes de tudo. Se estivermos fora dos padrões convencionados pela maioria, nem sempre reais, não nos permitimos aceitar nossos atributos, pois estaremos sempre mais gordos ou mais velhos. Parece que a satisfação nunca é atingida. Nossa sociedade é cruel, quando analisamos que o idoso não é tido como capaz de fazer planos e vivenciar desafios. A imagem a ser perseguida é a da juventude. Portanto, o envelhecimento que deveria ser vivenciado da melhor forma possível acaba por ser uma experiência adiada, ou até mesmo negada.
A vida nos coloca diante de muitos impasses e perdas difíceis de serem suportadas, além disso, as limitações físicas acarretadas pela idade são inegáveis. Dessa forma, mais interessante que ficarmos sujeitos aos padrões sociais de qual é a melhor forma de levar a vida, é percebermos que o sentimento de estar envelhecendo pode surgir em momentos diversos. Cada um é que estabelece o seu tempo de sentir-se velho ao reagir ao que lhe é imposto pela sociedade, pela cultura e pela ação do tempo no próprio corpo. A vida é um processo, uma dinâmica constante e a forma como nos posicionamos e investimos nossa energia influencia bastante nessa caminhada. Será que somos de fato eficientes em solucionar alguns problemas ou pelo contrário, parecemos alimentar ainda mais nossas fontes de preocupação? O que você busca para você e o que está fazendo para isso? Já está muito tarde para tudo, já passou da idade? Muitas certezas infundadas levam à rigidez de pensamento que acaba por limitar nossas ações e investimentos. Passamos a nos fechar para as possibilidades de nos conduzir e lançarmos mão dos recursos que muitas vezes nem reconhecemos que possuímos.
Com a terapia temos a possibilidade de nos tornarmos mais responsáveis por nossas escolhas e não mais tão vítimas do alto nível de exigência que é imposto a todos. O psicólogo acompanha o cliente de forma a facilitar a ampliação de sua percepção a respeito de si própria, aumentando sua autoconfiança e capacidade de se orientar em seu meio na busca de uma vida mais saudável.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Pais, Filhos e Fim do Casamento
O rompimento conjugal acarreta experiências distintas para pais e filhos, com desdobramentos que não devem ser analisados de forma unificada. Com a separação, dificuldades de nova ordem podem surgir para os filhos, com repercussões a longo prazo. A aceitação de novas uniões dos pais com novos companheiros, pode ser complicada ainda mais quando esses filhos ainda não compreendem ou aceitam a separação. Alguns, por questão de lealdade com o outro genitor, não se sentem autorizados a gostar da madrasta ou padrasto. Além disso, podem ocorrer ressentimentos e dificuldades em aceitar os filhos provenientes de novas uniões.
É comum os pais esperarem que os filhos tomem partido, se posicionando a favor de um deles. Situação delicada essa, mas bem comum. Os filhos acabam por servir de joguete nas mãos dos pais, podendo sentir-se inseguros e divididos, buscando ter o afeto e uma boa relação com os dois. Muitas vezes, tornam-se mensageiros, intermediando conversas e recados entre os pais. Outra situação comum é daqueles filhos que sabem apenas um lado da história que motivou a separação, ou seja, a versão contada por aquele que permaneceu com a guarda.
Os filhos adultos ou que estejam saindo da adolescência podem ser capazes de avaliar de forma mais eficiente os fatos relativos à separação dos pais. Infelizmente, alguns só alcançam a percepção real dos fatos anos depois e passam a ver cada um dos lados com mais clareza. Só então podem retomar uma relação rompida.
Aqueles que conseguem manter mesmo que um estreito contato com ambos, frequentando as duas casas, mostram menor desgaste emocional com o divórcio. Quando os pais se sentem mais felizes após a separação, os filhos tendem a também ficarem, pois não ficam expostos a conflitos entre os pais.
As famílias têm condições de elaborar todas as mudanças envolvidas, mas cada uma possui seu tempo e dentro de possibilidades distintas. De forma geral, não é simples passar por todo esse processo, pois envolve planos desfeitos e uma série de sentimentos confusos. Torna-se importante buscar ajuda quando é percebido que prejuízos estão sendo causados e um grau de sofrimento considerável está presente.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Deixando-se ajudar
Para muitos, pedir ajuda exige muito esforço. Além de ter o costume de estar no lugar daquele que presta assistência, ser resolutivo, até mesmo parecer autossuficiente, o fato de expôr a próprias fragilidades ocasiona essa dificuldade. No entanto, tentar dar conta de tudo sozinho e exigir-se além do possível, pode causar uma sobrecarga com consequências danosas. Além disso, pessoas aparentemente fortes, ou que se percebem mais predispostas a ajudar do que receber ajuda, podem ter dificuldades em trocar de papel e aceitar auxílio.
A autossuficiência é somente uma ilusão. Por melhor que façamos, não há ninguém que consiga viver sem receber algum tipo de ajuda, acolhimento em algum momento da vida. Aqueles que mais resistem a perceber tal fato, são os que possivelmente mais sofrerão com as sobrecargas acumuladas solitariamente.
Essa postura de lidar com os conflitos de forma solitária, acaba sendo reforçada pelo fato da sociedade estimular a crença de que o indivíduo quando direcionado a ser independente e autossuficiente, sempre terá benefícios. Portanto, é um cenário que propaga o fechar-se em si mesmo e o individualismo, que não permitem espaço para o acolher a manifestação de fraquezas.
Não é incomum que até os mais íntimos não consigam reconhecer quando o outro necessita de ajuda pelo fato de sempre tê-lo visto como aquele que está ali para ajudar, como se os papéis não pudessem se inverter. É importante permitir que aqueles que nos querem bem se aproximem e tenham a satisfação de retribuir a ajuda que foram acostumados a receber. Desenvolver essa possibilidade de troca cria um caminho para relações mais generosas, tão importantes em nossa sociedade. Além disso, receber ajuda é ter o acolhimento suficiente para fortalecer-se e seguir em frente.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Casais e expectativas idealizadas
Há diversos motivos para que um casal se constitua e os parceiros escolham um ao outro. Podem desejar reproduzir o formato de relacionamento que tiveram seus próprios pais ou distanciar-se dele, buscar satisfação sexual, aproximar-se por conta das afinidades, suprir as expectativas familiares/sociais, dentre outros motivos. Mesmo vivendo histórias diferentes, estar num relacionamento amoroso pode virar uma experiência na qual, expectativas irreais são projetadas por um parceiro no outro, sendo fonte de sofrimento e frustração.
Quando apaixonados, um enxerga o outro de forma irreal, ou seja, através de uma imagem idealizada. Torna-se um problema quando, ao encerrar esse estado, não houver acolhimento para o outro como ele realmente é, culminando até mesmo no fim do relacionamento. No entanto, quando este persiste, percebemos que o parceiro que foi idealizado se esforça para encaixar-se no ideal esperado dele com o propósito de manter o relacionamento sem atritos. Tal atitude não é saudável nem promissora.
Nos casos em que um dos parceiros apresenta uma personalidade vaidosa, narcisista, ao outro costuma ser dirigida a expectativa de sanar ou responder aos desejos individuais do parceiro. Com isso, existe um prazer em perceber o poder exercido sobre o parceiro, já que este não mede esforços para atender ao vaidoso. A harmonia do relacionamento depende de um parceiro submeter-se aos desejos do outro, sempre atendendo às suas demandas.
São tantos os prejuízos da idealização que alguns casais se misturam de uma tal forma, que não sabem mais quem são, individualmente. O relacionamento, por exemplo, pode sofrer quando um cônjuge vira alvo das insatisfações do outro. O parceiro está frustrado, não se sente realizado, mas quem sofre o impacto é ou outro, como se fosse ele o responsável. Tal fato retrata a dificuldade de se responsabilizar por aquilo que é de sua autoria, sendo menos sofrido atribuir ao outro. Com isso, abre mão de compreender que é o único a ser capaz de buscar as soluções e agir em função de seus problemas. Em lugar disso, provoca no parceiro um sentimento de culpa, pois por mais que tente, a realização de certas necessidades e desejos depende da busca pessoal de quem os possui.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Gestalt terapeuta
Sentimento de Culpa
A culpa é o sentimento que surge a partir da experiência de ter cometido algum erro, feito algo reprovável moralmente e provocado algum prejuízo a si mesmo ou aos demais. A avaliação consciente com relação ao que foi vivido propaga sentimento de culpa proporcional ao ato praticado, de forma a evitar que seja repetido. Sendo assim, o alívio da culpa pode ser atingido através do arrependimento, da reparação e do perdão. Torna-se patológico quando o sentimento aparece sem a pessoa ter causado um dano real ou mesmo quando o sentimento é muito rígido e punitivo para a circunstância.
Muitas vezes, as pessoas pensam que deveriam ter apresentado um comportamento diferente, e assim evitado algo de ruim. Como se o rumo da história estivesse exclusivamente em suas mãos. A culpa surge devido à constatação de que não conseguimos alcançar uma imagem ideal. Portanto, esse sentimento se potencializa na medida em que for maior a expectativa a nosso respeito, assim como a exigência pela perfeição. Mesmo sabendo que é impossível viver sem cometer erros, é comum existir essa crença sobre atingir a perfeição. O sofrimento que o sentimento de culpa provoca é como se fosse um castigo por nossos erros. Punimos a nós mesmos por não nos encaixarmos em nossas expectativas ou às expectativas dos outros.
A culpa pode até mesmo revelar um traço de onipotência, na medida em que acreditamos que temos controle absoluto sobre o bem estar das pessoas que amamos. Acreditar, por exemplo, que teríamos evitado o seu sofrimento se tivéssemos agido de forma diferente. Sentimos culpa no lugar de aceitarmos que ninguém detém o controle sobre tudo.
A culpa, quando excessiva, é destrutiva, consumindo a pessoa e impedindo-a de conseguir pensar de forma clara e baseada em fatos concretos. A culpa desmesurada não auxilia em nosso crescimento, mas sim provoca gasto de energia quando nos perdemos numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de investirmos essa energia em novas ações e experiências. Portanto, a energia deve ser canalizada no momento presente pois não é possível voltar ao passado e corrigir os erros, mas sim aprender com eles e aproveitar a experiência adquirida para criar algo novo e seguir em frente.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Um pouco de empatia, por favor.
No cenário atual, vemos crescer a intolerância, falta de respeito, a defesa rígida da opinião particular como “verdades supremas”. Com isso, nos afastamos, nos isolamos, e viver passa a ser mais difícil e menos enriquecedor.
Num contexto em que escutar aquilo que é diferente do que se tem como opinião parece ser impensável, o que dizer do exercício de colocar-se no lugar do outro e ser compreensivo com a experiência alheia, respeitando-a, mesmo que não compartilhemos dessa experiência? Pois é disso que se trata a empatia.
Pessoas diferentes assistindo a um mesmo filme, possuem interpretações diferentes, emoções diferentes. Enquanto, alguém pode ficar bem interessado, outro pode até dormir. Cada um de nós vivenciamos, percebemos as situações de forma muito peculiar. Portanto, respeitar como o outro passa por suas dores e experiências torna-se difícil mas essencial.
Olhamos o conflito do outro a partir da nossa perspectiva, nossos valores. Portanto, praticar a empatia seria justamente buscar olhar uma experiência através da perspectiva alheia, esforçando-se para compreender o que o outro pensa sobre o que está acontecendo e o que sente. É estar disponível para o outro e até mesmo, com isso, ajudá-lo a melhor lidar com a situação.
Nos relacionamentos mais íntimos, torna-se bem importante sermos ouvidos e sentirmos que estamos sendo compreendidos, seja com palavras, gestos ou a simples presença genuína.
Ser empático implica em ouvir no intuito de compreender o outro e não de argumentar. Por isso, o termo empatia tem em sua origem o sentido de "entrar no sentimento".
Para desenvolver essa capacidade é necessário que antes de tudo, a pessoa consiga conhecer a si mesma e respeitar-se em suas necessidades, entrando em contato com os próprios sentimentos. Quando temos o privilégio de, desde a infância, aprendermos que nossos sentimentos e dos outros devem ser respeitados, desenvolvemos a capacidade de empatizar. Porém, nunca é tarde para aprender, começando a exercitar consigo mesmo. Quando nos colocamos no lugar do outro, ficamos mais sensíveis ao sofrimento e dificuldades alheias, o que nos humaniza e nos possibilita ajudarmos uns aos outros.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica e Gestalt terapeuta
Eterna insatisfação
Existe um tipo de insatisfação que move a pessoa na busca pelo crescimento, por mudanças apropriadas. O que trato aqui é daquela relativa à necessidade de algo novo por não querer lidar com a frustração do que se vive no momento presente. A busca não é relativa a encarar a vida e aproveitá-la como ela é agora, mas em tentar fugir dessa realidade. Esse tipo de atitude faz a pessoa deslocar sua energia para o futuro em vez de viver o presente e conseguir obter prazer no aqui e agora. O risco é manter um investimento superficial e pouco eficiente naquilo que se faz, e ainda assim, esperar um retorno rápido e de qualidade.
Viver as experiências sem se envolver plenamente provoca frustração, pois sabemos que mesmo quando dispomos de muitos recursos, nada parece funcionar. Com isso, é fácil entender porque a insatisfação não diminui, e muita gente continua numa reclamação sem fim. Mas o que essas pessoas estão fazendo de fato para melhorar suas condições? Fazem o suficiente? Possuem expectativas sensatas?
Ao realizar algo, é necessário comprometimento, esforço e assumir responsabilidades. Caso contrário, haverá uma sucessão de fracassos, resultando em sensação de vazio e incapacidade.
O imediatismo e o incentivo por viver tudo ao mesmo tempo têm uma grande influência nisso. Estamos imersos nessa forma de enxergar a vida. Somos levados a acreditar que precisamos de tudo, de todas as mercadorias, todas as experiências. E que precisamos de tudo isso agora! Como se, diante de uma mesa farta, tivéssemos que comer de tudo. No entanto, há uma medida para o que cabe no prato e no estômago. Portanto, respeitar nossos limites é sempre importante.
Hoje em dia, existe uma gama enorme de possibilidades a serem exploradas em qualquer âmbito de nossas vidas. No entanto, nenhum ser humano tem capacidade de abraçar o mundo mas é capaz de levar consigo elementos preciosos. Aprender a valorizar e celebrar o fato de termos aquilo que é possível, exige paciência e tempo.
A vida ocorre em processos, tem um ritmo próprio, que não podemos acelerar. É importante percebermos que as coisas precisam ser conquistadas por pequenas etapas, e nada é imediato. E se chegou rapidamente, possivelmente não representa uma conquista verdadeira.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Pais idosos e seus filhos
Envelhecer não é fácil: passar por diversas transformações físicas, limitações, processar as informações com maior lentidão, perceber a memória falhando cada vez mais. Ao mesmo tempo, é comum os filhos ficarem frustrados ao acompanhar alguém que tinha autonomia e força começar a se fragilizar e precisar ainda mais de cuidados. Diante disso, acontece uma espécie de inversão de papéis, quando os filhos tornam-se “pais de seus pais”. Nessa fase, além dos cuidados, é também necessário compreender que a necessidade de afeto e atenção costuma aumentar. No entanto, deve-se cuidar para que não ocorra sua infantilização pois suas vontades e pontos de vista devem ser respeitados. Ao tomar decisões que provoquem mudanças na vida do idoso, este deve ser participado e considerado. Na medida em que não houver mais lucidez o suficiente para participar das decisões, é importante os filhos se responsabilizarem, sempre respeitando a história de vida e os hábitos dos pais. Outra mudança que se faz necessária, é começar a poupá-los de alguns problemas e angústias, para protegê-los de circunstâncias que trariam sofrimento desnecessário.
Alguns filhos, têm dificuldade em assimilar o envelhecimento dos pais, por ser uma realidade dolorosa de aceitar, expressando-se através de manifestações de raiva e intolerância. A tensão pode aumentar, na medida em que há a necessidade de conciliar os novos cuidados com os pais e o trabalho, casamento, filhos. Outro aspecto é a redução do contato social na velhice, podendo gerar isolamento e solidão. É importante estimular descobrir novos interesses pois uma das maiores dificuldades desta fase é a angústia gerada por uma maior reflexão sobre a própria vida e a proximidade da morte. Quando ocorre uma perda de perspectiva, uma falta de sentido para a vida, é comum encontrar quadros de depressão, alcoolismo, entre outros.
Além de tudo isso, não é toda família que tem o privilégio de um bom relacionamento entre pais e filhos. Quando há mágoas, conflitos, pode ocorrer maior dificuldade nos cuidados aos pais idosos, levando para a rotina essa tensão.
Enfim, o envelhecimento dos pais é um processo difícil para pais e filhos. Da mesma forma, como não há receita nem preparo prévio para ser tornar pais, também não há para cuidar dos próprios pais. O importante é ter o compromisso de fazer o melhor possível e retribuir o zelo e o afeto que esses pais dispensaram aos filhos.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Somos aquilo que pensamos?
Pensamentos são só pensamentos, e não verdades. Ou seja, não é porque temos um certo pensamento que aquilo irá tornar-se real. No entanto, aquilo que pensamos tem a capacidade de manter relevante influência sobre nós. A forma como pensamos sobre os fatos, sobre nós mesmos e sobre os outros, faz com que tenhamos sensações e sentimentos diferentes. Projetaremos no mundo aquilo que está dentro de nós e viveremos a partir daquela percepção. Se pensarmos que o mundo é um lugar perigoso, viveremos assustados. Se pensarmos que não somos competentes, possivelmente falharemos em nossos investimentos.
A forma como elaboramos nossos pensamentos costuma ter relação com as nossas crenças. Aquelas ideias que foram transmitidas, principalmente no meio familiar, e que carregamos sem questionarmos o quanto daquilo (ainda) faz sentido.
O grande problema é quando nossas crenças afetam nossos pensamentos de maneira a torná-los negativos ou catastróficos. Como alguém que acredita que não seja merecedor de coisas boas, ou não seja capaz de se desenvolver. Essa pessoa dificilmente irá se esforçar para buscar e conquistar o que deseja, tornando-se aquilo que mais temia: um fracassado. Ou seja, a forma de comportar-se do indivíduo é prejudicada, mostrando-se inadequado, por conta dos próprios pensamentos derrotistas que alimentou.
Mesmo que alguns pensamentos negativos não sejam incorretos, mostram-se inúteis pois só servem para que nos sintamos pior. Portanto, é importante decidirmos ter pensamentos que nos favoreçam, nos incentivem a melhorarmos. Para tanto, é preciso identificarmos esses pensamentos negativos, desconstruirmos as crenças que estão operando, tornando-as mais coerentes com a realidade. Caso contrário, continuaremos correndo o risco de subestimarmos nossas capacidades e superestimarmos aquilo que não conseguimos desempenhar.
O pensamento negativo e as crenças obsoletas atuam como pesos amarrados em nossas pernas durante uma corrida. Se não fossem os pesos, imagine a velocidade que atingiríamos? Imagine a satisfação e o ânimo que nos motivariam para fazermos novas corridas?
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
De mãos dadas com a preocupação
É comum, hoje em dia, em meio a tantas cobranças, falta de tempo, nos encontrarmos preocupados com algo. Há preocupações que levam a uma resolução ou posicionamento diante de problemas que são solucionáveis. No entanto, a preocupação é considerada excessiva quando é desproporcional à situação desencadeante. A pessoa não consegue parar de pensar, como se fosse algo incontrolável. Sempre imagina o pior cenário e entra num ciclo vicioso.
Existe uma relação íntima entre preocupação e ansiedade. Ao preocupar-se, ocorre uma tentativa (frustrada) de impedir que coisas ruins aconteçam, através da antecipação mental do evento. No entanto, isso faz com que a pessoa fique ainda mais ansiosa.
Não há como impedir que alguns pensamentos nos cheguem à mente. Mas é bom saber que tratam-se de pensamentos e não necessariamente acontecimentos reais. Com isso, não devemos reagir de imediato, senão estaremos condicionados por nossas inseguranças e medos, o que acaba atrapalhando vivermos as experiências.
Preocupar-se também pode ter relação a querer sermos vistos pelos outros como nós desejamos. Com isso, fazemos bastante esforço para projetar uma certa imagem, cuidando rigidamente da nossa exposição. Isso tudo pelo receio de sermos confrontados com quem realmente somos, sermos descobertos em nossas inseguranças, receios e falhas.
Em larga escala, a vida não é controlável. Mas buscamos acreditar que temos mais controle sobre ela do que realmente é possível. E muito da nossa preocupação e ansiedade representam uma maneira de negar essa realidade, em vez de aceitarmos nossos poderes limitados.
É importante fazermos planos e tomarmos decisões para o futuro, mas também é relevante olharmos para o que está acontecendo agora. O que a nossa ansiedade tem para nos dizer? Qual a necessidade que está surgindo no momento atual e que não estamos observando? Trata-se de um indício de que precisamos mudar algo em nossa visão de mundo, em nossos relacionamentos? Rever alguma atitude? Não adianta querer livrar-se da ansiedade até que possamos compreender o que ela tem a dizer. E quando compreendemos, ela deixa de existir pois no lugar de fantasiar e sofrer com um futuro catastrófico, investimos energia para realizarmos o que de fato é importante para nosso bem-estar.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Aprendendo com os problemas
É comum termos a ideia que os problemas são ruins e, com isso, devem ser evitados. No entanto, a maneira como lidamos com eles é que os transformam em oportunidade de aprendizado ou simplesmente chateação. Na medida em que a lição não for aprendida, possivelmente os mesmos problemas retornarão.
Os problemas podem ser encarados como desafios. Sendo assim, é importante pensarmos o real significado que eles têm. Muitas vezes, aparecem para nos forçar a melhorar, questionar comportamentos, buscar mudanças para o crescimento. Trata-se, muitas vezes, de admitir que os caminhos, as formas já conhecidas não servem mais, necessitando-se criar novas possibilidades e acreditar em nossa capacidade de recomeçar.
Há pessoas que cresceram de forma muito passiva, acostumadas a ter sempre alguém que assumisse seus problemas. Ao deparar-se com dificuldades, terão menor capacidade de enfrentamento e de lidar com frustrações. Transferir para os outros a responsabilidade pelas dificuldades ou assumir a posição de vítima, não gera amadurecimento. Acreditar que o problema será resolvido fugindo dele, é uma fantasia. Da mesma forma como supervalorizá-lo não auxilia em seu enfrentamento e resolução.
A vida não é predeterminada. Portanto, está sujeita a transformações contínuas que não estão sob nosso controle. Mas há também uma parte nesse processo que depende de nós, de como vamos encarar os acontecimentos e agir sobre eles. É natural não querer lidar com problemas, não querer abrir mão da zona de conforto, de toda segurança que ela nos proporciona. Mas é importante desenvolvermos novas habilidades e recursos para enfrentarmos os riscos e situações inusitadas que surgem e até ganhar motivação para desejar mais, ousar mais.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Aceitando a realidade
De uma forma geral, costuma ser um grande desafio aceitar as situações como elas são, e não como gostaríamos que fossem.
A aceitação não tem relação com passividade, conformismo ou não dar importância aos acontecimentos. No entanto, muitos têm uma crença de que ao aceitarmos as coisas como elas são, não faremos nada a respeito e assim nada mudará. Na verdade, a aceitação é diferente de acomodação. Aceitar é parar de brigar com a realidade dos fatos, já que isso só gera desconforto. A acomodação é quando podemos fazer algo e decidimos não fazê-lo.
Em muitos casos, não há nada a fazer: o trânsito não irá melhorar só porque reclamamos dele, os fatos passados não sofrerão alteração só porque assim desejamos, as pessoas não mudarão de atitude só porque pressionamos. O excesso de reclamação, inclusive, leva ao vício nesse comportamento, consumindo quem faz, afundando-o num mar de insatisfações. A pessoa tem cada vez mais dificuldade em ter reações resolutivas. Além de gerar estresse, a não aceitação pode gerar mais situações desagradáveis. Pois nesse estado focamos nos aspectos negativos da vida, deslocando nossa atenção que poderia estar direcionada para aquilo que é produtivo, o que ajudaria a buscar soluções para as dificuldades.
Aceitar é conseguir compreender o inevitável, reconhecer que somos limitados diante de certas circunstâncias. É importante compreendermos que é natural sentir raiva e frustração diante dessas situações. Devemos acolher nossos sentimentos, o que é diferente de levá-los adiante, permeando nossas atitudes sem questionarmos a real consequência. Nem sempre conseguimos compreender o motivo pelo qual certas coisas acontecem. Não temos todas as respostas, nem o controle de tudo. Portanto, é preciso parar de resistir, aceitar a realidade para seguirmos em frente, deixando de desperdiçar energia e investi-la em novas atitudes.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
A solidão pode ser positiva?
Sabemos bem do peso da solidão daqueles que passam pelo abandono, por falta de assistência, principalmente, na velhice. Não falamos aqui desse contexto, nem de casos onde a depressão está presente, mas sim da experiência em se permitir estar só, em nossa própria companhia e desfrutar aquilo que essa experiência possibilita.
Muitos pensarão que é comum a solidão, pois passam horas sozinhos em frente aos seus computadores, jogos online, tablets e outros. No entanto, ainda são casos nos quais existe uma conexão com mais alguém, mesmo que virtual, o que afasta um pouco o contato direto conosco.
Há aspectos nossos que só serão percebidos justamente quando estamos ligados a nossa individualidade, sem nos preocuparmos com o olhar alheio ou com qual papel devemos representar. Além disso, poupamos energia quando estamos sós, porque estar em relação, mesmo que seja prazeroso, é investimento de energia. Em algum momento, esta precisará ser renovada.
Outro aspecto importante da solidão é o fato de que ela nos proporciona um momento onde podemos fazer uma autorreflexão sem a interferência dos demais. Quando estamos com companhia costumamos fazer concessões, considerar a opinião alheia. Portanto, estar sozinho também tem grande relevância pois reconhecemos melhor o que de fato nos dá prazer. Com isso, respeitamos mais a nós mesmos, ficamos mais seguros e fortalecemos a autoestima, uma vez que faremos mais coisas que nos provocam prazer.
Estar sozinho pode despertar o medo de enfrentar, na intimidade, os problemas e alguns sentimentos, o que a busca por distrações tem como finalidade evitar ou postergar. O cuidado deve estar em reconhecer o quanto estamos apelando para estar com os outros, se ocupando, para evitar lidar com algo desconfortável e não fazer enfrentamentos necessários.
As pessoas possuem diferentes necessidades de ficarem sozinhas. O fato é que este período de intimidade consigo mesmo é necessário para todos. A solidão pode ser um caminho para aprendermos mais sobre nós mesmos.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Relacionamento a dois: trabalho em equipe
É uma pretensão falar sobre relacionamento a dois em poucas linhas pois existe muita complexidade envolvida. Optei por destacar aspectos bem comuns e importantes na compreensão da dinâmica dos casais.
Dentro de um relacionamento, é comum a pessoa projetar no parceiro sua falta de realizações. Isso porque, quando adultos, percebemos que nossas realizações são tarefas nossas. No entanto, quando existe uma ligação amorosa, a tendência é tentarmos repassar ao parceiro a incumbência que já foi de nossos pais. Desta forma, o cônjuge torna-se o alvo mais fácil para nossas insatisfações ou problemas. Considerar o outro como responsável pela nossa realização pessoal pode levar o parceiro a um sentimento de culpa por não corresponder a tudo aquilo que espera-se dele. Somado a isso, há quem viva em função de ser o parceiro “perfeito”, buscando manter o relacionamento sob controle, livre de riscos. Trata-se de uma busca ingênua pois os conflitos na vida conjugal podem aparecer mesmo dentro de uma relação “sob medida”. Os conflitos costumam surgir quando um dos parceiros começa a ter novas necessidades no âmbito individual, e a relação não cede espaço ou não se transforma para atender essa demanda.
Há casos em que o relacionamento já possui marcas mais intensas. Quando não dá para suportar a companhia um do outro, há formas engenhosas de evitação: ocupar-se dos cuidados aos filhos pequenos, passar mais tempo no trabalho, restringir a companhia um do outro somente quando os filhos estão presentes. Por isso, na medida em que os filhos crescem, e saem de casa, o distanciamento do casal acaba sendo exposto.
Um casal saudável funciona como uma equipe, tendo cada um sua função, em busca de um mesmo objetivo: viver bem. Cada um tem sua maneira de lidar com o mundo e capacidades diferentes. Tal fato não deveria ser motivo de briga mas sim de valorização da riqueza dessa parceria, além de tirar bom proveito disso!
A terapia pode ajudar os casais a lidar melhor com os conflitos pois abre a possibilidade de experimentarem novas regras e combinar novas formas de interação. Olhar os conflitos de frente faz toda a diferença na sua superação. Muitos casais não conseguem isso e gastam toda sua energia em tentar encobrir tais conflitos, o que só aumenta o sofrimento. A terapia também é fundamental pois dá o suporte necessário àqueles que vivem dois grandes medos do ser humano, e que são fonte de muitos silêncios do casal: o medo de ferir e o medo de ser rejeitado.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
O ciúme na era digital
O ciúme é um sentimento que, quando em excesso, faz com que a pessoa sinta-se excluída, inferiorizada, por conta de uma sensação intensa de insegurança com o relacionamento que estabelece com o parceiro, baseando-se em suposições pouco realistas para validar suas desconfianças de infidelidade.
Quando a dinâmica de um relacionamento é permeada pelo ciúme, podemos pensar em sentimento de posse, de um exercer controle sobre o outro. Com isso, é comum alguém se anular e buscar saciar as expectativas do outro. De forma geral, possui esse perfil ciumento quem está com a autoestima empobrecida, não reconhecendo o próprio valor e, portanto, incapaz de acreditar que pode ser amado pelo que realmente é.
Se antes do grande desenvolvimento de recursos tecnológicos, já era bem comum encontrarmos manifestações de ciúmes entre os casais, parece que agora potencializou-se já que existem novas formas de acompanhar a vida do parceiro: cobra-se o tempo que o parceiro fica no computador, as fotos que curtiu, questiona-se a demora para responder o whatsapp.
O parceiro ciumento deseja ter acesso a todas as informações do outro, e se não consegue, é levado erradamente a pensar que o outro esconde algo, quando este só quer ter espaço para sua individualidade.
Em função do ciúme, existem casais que compartilham do mesmo perfil e com isso, podem acompanhar os passos do parceiro e ter maior sensação de segurança, de que ficará sabendo dos seus passos, o que compartilha, com quem conversa, etc. Há também casais que possuem as senhas um do outro. Mais uma vez, funciona como uma forma de controlar o que cada um faz. Esse tipo de acordo pode acabar por reforçar o ciúme, pois qualquer coisa diferente do que se espera ou que gere suspeita, pode fomentar brigas.
A melhor solução é sempre a comunicação. Falar sobre o que incomoda, repensar o uso da ferramenta, buscar estabelecer acordos sobre como se comportar no meio virtual, esclarecer sobre o quanto cada individualidade precisa ser preservada.
Um tempo precioso e muita energia costumam ser desperdiçados na fiscalização da vida do outro e também em criar fantasias de traição e buscar provas disso. Toda essa energia seria bem melhor investida no próprio relacionamento, quando as pessoas poderiam ocupar-se em cuidar para melhorar a qualidade da relação.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Como você enfrenta as adversidades?
Cada um de nós tem uma forma de enfrentar seus problemas. No entanto, a pessoa pode aumentar seu sofrimento e reduzir a chance de até liquidar alguns deles justamente pela forma utilizada em seu enfrentamento.
É comum ouvirmos que alguém não consegue fazer diferente daquilo que herdou ou aprendeu com sua família. Alguns hábitos foram aprendidos, principalmente na infância, pois foram necessários. Porém, ao longo da vida, podem tornar-se prejudiciais e merecem uma revisão.
O peso da influência genética tem que ser levado em consideração mas não inviabiliza a possibilidade de explorar novas formas de pensar, se posicionar e agir. No entanto, é necessária muita disposição. A boa notícia é que nosso cérebro é capaz de aprender de forma contínua, reconfigurando a percepção que temos do mundo e de nós mesmos. É possível criarmos novas conexões neurais, basta alterarmos nosso olhar e os hábitos emocionais. A partir disso, podemos rever nossas escolhas e metas, o que ajudará no desenvolvimento de nossas potencialidades.
Quando tiramos o foco da dificuldade, há uma alteração de percepção, sendo possível encarar os desafios como oportunidades e aproveitar para nos desenvolvermos. Outro ponto, é considerar que, mesmo vivendo uma dificuldade, podemos cultivar alegria em outros campos da vida. Olhar para o mundo de forma menos rígida e cuidar de como falamos sobre nós mesmos e nossas experiências, podem ser grandes aliados em barrar a auto tortura e a forma catastrófica de olharmos a vida.
Desenvolver atitudes mais positivas é importante, tais como focar mais nas qualidades do que nos pontos pouco desenvolvidos de si mesmo e dos outros; dar mais sugestões do que fazer críticas; agir mais em vez de reclamar daqueles que não agem; focar mais na solução do que no problema, etc.
Algumas pessoas resistem pois não é mesmo muito simples alterar a forma de olhar o mundo e os eventos. Além disso, é também abrir mão de certos ganhos psicológicos de manter um antigo posicionamento, como existe quando nos colocamos no papel de vítima das circunstâncias.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
A grande virtude da gratidão
A gratidão é um sentimento que está relacionado ao agradecer e apreciar a vida. No entanto, é comum darmos a real importância àquilo que temos somente quando surge a ameaça de sua perda.
Numa época em que costumamos assistir a uma série de reclamações e insatisfações, falar sobre gratidão torna-se ainda mais importante, assim como a necessidade de cultivá-la.
Quem cultiva a gratidão consegue desenvolver melhor capacidade de resiliência e contribui para a própria saúde. Isso porque, consegue focar e valorizar as pequenas coisas, os detalhes, pois são eles que aumentam nossa qualidade de vida. Os estudos mostram que as metas externas como recompensas, elogios, dinheiro, status, boa aparência, trazem satisfação. Porém, são as metas intrínsecas que são imensamente gratificantes porque têm a ver com as necessidades psicológicas das pessoas: crescimento pessoal, ter a capacidade de agir de forma mais autêntica possível, ter relacionamentos próximos com amigos e entes queridos, contribuir para a comunidade, fazer coisas significativas.
Quando geramo
s sentimentos de gratidão em nossos pensamentos, ativamos o sistema de recompensa do cérebro. Ou seja, quando o cérebro percebe que algo positivo aconteceu, que algo deu certo ou que há coisas em nossa vida que reconhecemos como importantes e somos gratos por isso, há liberação de dopamina. Trata-se de uma substância química que é necessária para as sensações de prazer e felicidade. Por isso, pessoas que manifestam gratidão demonstram, em larga escala, emoções positivas e satisfação com a vida.
Para sermos capazes de sentir gratidão, ela precisa ser primeiramente construída em nosso pensamento. Ou seja, precisamos pensar naquilo que conquistamos, sejam simples ou grandes conquistas. Assim, gerar o sentimento de gratidão torna-se uma escolha. É desenvolver um reconhecimento interno, mesmos que as circunstâncias vividas não sejam as mais favoráveis.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
O peso da mágoa no corpo
Você já deve ter escutado falar que sentimentos reprimidos podem causar dor emocional e doenças físicas. Justamente, muitas pessoas remoem as mágoas e chega um momento em que elas transbordam. É quando o organismo sinaliza o seu limite e busca defender-se abrindo uma “crise”.
Quando nossas expectativas não são alcançadas, é comum ficarmos frustrados. Sendo que, em muitos casos, trata-se de colocar em outra pessoa ou no “destino”, a responsabilidade de resolver nossos problemas, ao invés de sermos mais ativos diante daquilo que queremos. Muitos sintomas físicos que atrapalham nossas atividades e oportunidades de termos momentos de prazer, são resultado desse quadro em que a pessoa alimenta um contínuo ressentimento.
Na medida em que a mágoa não é extravasada, ela pode crescer, ganhando uma conotação maior do que de fato representa. Com isso, nos afastamos da possibilidade de viver o presente e gastamos nossa energia revisando os fatos que nos provocaram tal mágoa.
Nem sempre lidar com um ressentimento significa resolver com o outro aquilo que está pendente, até porque nem sempre é possível acessar essa pessoa. O mais significativo é a compreensão do que de fato incomoda e como a pessoa permitiu que aquilo ganhasse tamanha dimensão na sua vida.
Cada um tem sua forma particular de criar expectativas sobre a vida e tolerar as frustrações. Por isso, alguns encaram certas situações dolorosas como mais significativas. Sendo que, aqueles que cresceram em um ambiente de pais pouco atentos a seus apelos, aprenderam a aliviar sozinhos sua própria dor, desde cedo. Provavelmente, preparam-se para a vida adulta para ser independentes, trancando-se na ideia de que ninguém terá intenção de se aproximar para oferecer uma ajuda genuína. Essa é uma condição que também pode precipitar na pessoa a dificuldade de externar raiva ou mágoa. Pelo fato de nunca ter recebido permissão para tal necessidade, uma das saídas para a retenção desses sentimentos é a produção de sintomas físicos.
É bom lembrar que, apesar de nossa capacidade de adaptação a novas situações, quando ocorre algo capaz de extrapolar nossos limites, o desconforto emocional pode ser capaz até mesmo de intensificar sintomas já existentes e despertar pontos vulneráveis.
É importante abandonarmos algumas coisas que carregamos e que são muito pesadas, para seguirmos mais leves. Portanto, que tal começarmos a olhar para dentro e cuidar daquilo que tanto nos incomoda?
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Psicoterapia e Meditação: Na busca pelo equilíbrio
Basta olharmos ao redor para percebermos como estamos adoecidos, enquanto sociedade. E a busca pela melhora, pelo conforto, têm aumentado as iniciativas de práticas que possam servir a esse propósito. Dentre elas, a psicoterapia e a meditação. Esta última, é uma prática muito antiga, com origem nas tradições orientais, estando especialmente relacionada às filosofias do yoga e do budismo. É considerada uma das técnicas mais antigas de autorregulação, que não necessariamente precisa ser vivenciada dentro uma perspectiva religiosa, mas também pode ser uma atividade trabalhada no âmbito terapêutico, visando através de seus benefícios, promover maior saúde física e mental. Sua ideia geral é de não confrontar ou reprimir os conteúdos que emergem à consciência, mas sim observá-los, contemplá-los sem julgamento, de forma a aprender a como não influenciar-se pelos mesmos. Ao mesmo tempo, trabalhar o foco na respiração, no corpo e em seus sinais.
Para compreendermos os efeitos da meditação, precisamos falar sobre o sistema nervoso autônomo. Trata-se de uma complexa área que controla todo o meio interno do organismo através de ativação e inibição dos diversos sistemas, vísceras e glândulas, e se subdivide em sistema simpático e parassimpático. Explicando de forma bem simplificada, pois as alterações fisiológicas envolvidas são inúmeras e complexas, o simpático nos prepara para a ação em caso de emergência ou ameaça, por meio de descargas de adrenalina. O sistema parassimpático atua no sentido contrário, no intuito de manter a homeostase.
Dependendo do estilo de vida levado, o corpo pode estar fora de equilíbrio, na medida em que os circuitos de estresse estão predominantemente ativados pelo sistema nervoso simpático, podendo gerar danos à saúde.
A sensação de relaxamento e bem-estar proporcionada pela meditação é gerada a partir da redução da atividade do sistema simpático, na medida em que há maior ativação do parassimpático. Desta forma, os circuitos de relaxamento predominam, enquanto os circuitos de estresse são acionados em situações de real necessidade.
A atenção é uma das funções cognitivas particularmente envolvidas nas mudanças que a meditação pode gerar, a partir da ativação do córtex pré-frontal. Ocorre uma redução dos pensamentos ruminativos, na medida em que a prática trabalha a observação dos processos mentais. Quem medita alcança uma maior percepção do próprio corpo e aprende a lidar melhor com suas reações e pensamentos, culminando na redução da ansiedade.
A meditação, assim como a psicoterapia, buscam que as potencialidades humanas se expandam. Portanto, além da psicoterapia, a meditação também passou a ser utilizada como ferramenta, em programas de saúde. Sendo que a regularidade e a continuidade da prática influenciam a intensidade das respostas e mudanças duradouras.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Morte e Vida
Recentemente, tem sido bem intensa a discussão sobre suicídio e a surpresa em constatar que alguns desejam mesmo deixar de viver. Mas esse texto não é para falar da morte, e sim da vida.
Morte e vida estão interligadas, são os lados de uma mesma moeda.
Fugimos da possibilidade da morte a todo momento, entretendo a nós mesmos com atividades, buscamos suporte religioso, criamos experiências que roubam a nossa atenção daquilo que é nossa única certeza e, justamente o que mais nos assusta: todos morreremos. Alguns já sabem, provavelmente, como: quando já existe uma doença degenerativa, incurável; ou consequência de uma profissão ou atividade extremamente arriscada; ou decorrente dos excessos do consumo de algumas substâncias ou práticas. Mas quando será? A maioria foge desse assunto, ou vive negando. Muitos nem estarão lendo esse texto por conta do título. Mas será que devemos evitar em falar da morte?
Diante de tanta incerteza, podemos focar no outro lado da moeda: a vida. É sobre ela que temos alguma autonomia. Como a vida está sendo vivida? Suas ações estão tendo significado? Tem conseguido estabelecer prioridades, preocupar-se com aquilo que realmente importa e se dedicar àqueles que de fato fazem diferença na sua vida? Qual legado você deseja deixar? E o que você está fazendo para isso?
A vida é transitória, incerta. Quando um caminho se altera, costumamos resistir, querer que a vida pare e volte atrás. Mas ela não para! O desequilíbrio surge quando fica impossível, dentro de um certo ritmo, acompanharmos o seu desenrolar. Por isso, ajuda muito saber o que é importante para cada um, como é ter prazer na vida, buscar abrir mão da necessidade de controle, lidar melhor com as incertezas. Trata-se de uma tarefa delicada mas possível.
Tudo muda de perspectiva quando sabemos que perderemos algo muito importante. No entanto, não precisamos aguardar por esse momento para agirmos, para vivermos melhor!
Viver uma vida com significado costuma reduzir a ansiedade diante dela. Talvez seja esse o sentido da vida...
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta
Marcas da vida
A perfeição pouco tem a ver com a realidade, basta olharmos a nossa volta. A perfeição está ligada à noção de simetria. Trata-se de uma construção, utilizada para simplificar a discussão sobre as coisas, mas na essência ela não existe. Inclusive, “perfeito” vem do latim perfectus, “completo”. Já reparou que, para termos uma sensação de completude, nem tudo precisa estar “perfeito”?! No entanto, aprendemos a esconder as imperfeições, as incongruências.
Li em algum lugar que uma pessoa sábia carrega várias cicatrizes infligidas pela vida. Marcas das experiências, da sobrevivência, da superação. Essas cicatrizes podem ser visíveis, concretas ou não. Simbolizam desafios físicos e emocionais, aos quais sobrevivemos e nos adaptamos ao caminho que se alterou, mesmo contra a nossa vontade.
Algumas cicatrizes são decorrentes de situações banais, outras são expressões de graves problemas de saúde, acidentes, situações de grande risco. Com isso, é comum associarmos a sua existência à dor e sofrimento. No entanto, uma cicatriz pode lembrar como devemos ser gratos pela vida, pela superação de algo que implicou em risco ou à simples experiência de arriscar-se, de viver. É bom lembrar que viver é uma aventura e nem sempre escolhemos os riscos que estamos dispostos a correr.
Cicatrizes são referentes à superação de uma época difícil: a pele teve condições de se recuperar e mostrar o quanto somos fortes. Algumas cicatrizes lembram, muitas vezes, que precisamos cuidar do nosso corpo, que somos muito duros com ele e acabamos não respeitando seus limites. Por isso, ele foi machucado e “ganhou” uma cicatriz. Em outros casos, a cicatriz é necessária de outro modo: é resultado de uma intervenção para trazer funcionalidade àquilo que estava nos limitando. Então, apesar da “imperfeição” daquela marca, devemos celebrar o que estamos ganhando em termos de saúde.
O belo está na liberdade de se sentir à vontade, com bem-estar, desfrutar com prazer as experiências. Há uma beleza na experiência do enfrentamento e superação. Através desse processo, somos capazes de sentir que estamos crescendo, percebemos o valor que temos, e nos motivamos seguir adiante, mais fortes. Nossas cicatrizes são as marcas de batalhas, das quais saímos vencedores.
Bruna Cabral Vianna Pinto
Psicóloga Clínica -Gestalt terapeuta